quinta-feira, 29 de maio de 2008

Escalada Acidental ou Vertiginosa

Desde a parte final de 2007 e consequentes meses do corrente ano, o abrir dos noticiários é diariamente o mesmo em quase todos os canais, a subida vertiginosa dos combustíveis, a cotação do barril de petróleo na bolsa, e mais uma bomba que aumentou os preços, este tipo de noticias para o consumidor é um abalo na confiança e no calculo de mais um esforço que terá que fazer, sendo que as gasolineiras, "as chamadas grandes", fazem contas aos lucros que adevêm dos aumentos até final do ano.
No meio destes aumentos e de tantos comentários, ainda não ouvi ninguém perguntar o porquê de que cada vez há um aumento do barril de petróleo na bolsa, a gasolina aumenta de seguida, sendo que o crude que se encontra armazenado ou nas refinarias não foi comprado aquele preço, mas sim a um valor muito mais baixo, tal como o porquê de o gasoleo estar muito próximo do preço da gasolina, quando este é refinado dos (restos) excedentários da refinação da gasolina, “será que não deveria estar bem mais barato?” Pois deveria, mas isso trazia milhões de euros de prejuízo ás petrolíferas. Os parques nacionais estão com uma saturação muito elevada de carros diesel, que para alem de serem mais poluentes têm a vantagem de serem mais económicos e robustos mecanicamente, mas agora paga-se o reverso da medalha, o poluidor pagador.
Com o evoluir da economia, da adesão à União Europeia, foi-se criando riqueza, as famílias foram tendo poder financeiro para novas aquisições, e a compra de carro passou a ser facilitada com a adesão ao financiamento, à baixa taxa dos juros, etc., tendo muitas das pessoas que eram utentes dos transportes públicos nas suas caminhadas para o emprego e até mesmo para o lazer ( praia, etc.), passou a ser o meio de transporte diário, mesmo tendo que se enfrentar horas de filas, chagadas tardias ao emprego, mas nunca descorando nem se quer pensar em deixar o carro em casa e ir de transportes públicos para o emprego, como palavras de um utente da ponte Salazar (25 Abril) numa reportagem para uma televisão “ prefiro ter um bom carro do que uma boa casa”. Na época de 50, 60,70, ter carro era um luxo, nos dias de hoje à famílias que têm dois carros e algumas até mais, sendo que em 1997 o nosso parque automóvel estava em 10º lugar na Europa a nível de idades, tínhamos um parque automóvel com menos de 10 anos, mas a década de 50 a 70 parece cada vez mais perto da realidade, tendo muitos famílias que voltar a utilizar o meio de transporte publico, todos sabemos que Portugal carece de uma reorganização nesse sector, que apesar de tantos anos de desenvolvimentos ainda se têm autocarros da década de 70 em circulação, tal como comboios, mas nem tudo é mau, sendo que a renovação em alguns casos está no encontro da tecnologia de ponta.
Se até ao final do ano o barril do petróleo atingir os 200 dólares, haverá muitas famílias a ter que abdicar por completo da sua viatura de estimação ou então terá que passar fome para poder abastecer o depósito do mesmo, não creio que isso venha a acontecer, mas com estes aumentos deveremos tirar uma lição, começando pelo próprio governo, que o meio de transporte publico nunca deve ser colocado de parte mesmo não tendo o conforto que desejamos, e para isso temos que reclamar, exigir que seja criada uma rede de TP digna do passe e dos impostos que se paga.
Todos estes aumentos devem nos pôr a reflectir se o que se tem feito até ao momento é o mais correcto, poluindo o ambiente, dando milhões de euros por ano as petrolíferas e ao estado.
Circula na net e em sms para se boicotar o abastecimento nas maiores petrolíferas nacionais, também aderi a esse lema com a mensagem de introdução na página inicial, mas vamos também fazer disso um novo hábito, deixando o carro em casa e começar a usar o transporte publico.

0 Comments: