Num mundo em que as circunstâncias são adversas, porquê renegar a personalidade própria e seguir o caminho da imitação? Não há justificação plausível para o ser humano menosprezar aquilo que tem de melhor: a sua identidade própria. Desta forma, ao descrer das suas capacidades, está a cair no caminho da vulgarização e a abandonar a sua maior virtude: ser quem é, não ser quem quer ser nem quem os outros querem que seja. Porquê abandonar o caminho da verdade e remetermo-nos a tal realidade fictícia? Mais tarde, nada do que somos nos pertence; seremos apenas clones uns dos outros e aquilo que parecia dar-nos alguma paz de espírito tornar-se-á um pesadelo, quando nos apercebermos no fundo do nosso ser a crua e nua realidade. A paz e a bem-aventurança dará lugar à infelicidade. Mas a pergunta surge: “O que é a felicidade? Se existe, porque não somos todos felizes?” Mas aí o conceito de infelicidade não faria qualquer sentido. E esta questão da felicidade vs infelicidade é pertinente, mas justificável desde o período dos séculos 387 – 385 a.C., data em que o célebre filósofo Platão (Aristócles era o seu verdadeiro nome) escreveu um livro intitulado de “Fédon” e abordou os quatro argumentos da sua obra. É neste contexto que descrevo o primeiro – “Alternância dos Opostos” que nos dizia exactamente isso: os contrários devêm sempre do contrário, pois todos os processos de devir comportam reciprocidade e circularidade. Assim sendo, a felicidade provém da infelicidade e vice-versa; isto porque, a ideia de felicidade só existe pela existência da ideia de infelicidade, ou não faria sentido uma pessoa dizer-se feliz desconhecendo ela o conceito de infelicidade. A par disto, o ser humano, ainda que não queira, acaba por se imitar - o bem e o mal – se bem que a nossa vida não passa disso mesmo, de uma imitação por constituição inata. Pois desde crianças, o nosso cérebro foca imagens, acções e reacções que, com o crescimento, vão prevalecendo ou desaparecendo. Quem nos imita, porque o faz? Será que nos considera melhores do que a si próprio? Ou porque anda à deriva e essa foi a forma mais fácil que arranjou para se sentir menos inferiorizado? Ninguém se torna melhor só porque capta formas de estar, de escrever e de falar de outras pessoas. A originalidade não deve ser subentendida como algo que se vai construindo, mas como algo que nasceu connosco. Porque ninguém gosta de se sentir imitado, não cai bem no instinto da pessoa imitada, mas o que fazemos aí? Ou assistimos na bancada a um suicídio da cultura de cada um ou manifestamos o nosso completo desagrado. Mas a humanidade vai-se modificando genética e ginecologicamente, e o homem vai ambicionando, cada vez mais, mudar o curso normal da mesma, manipulando-a de tal forma que acaba por se perder na vastidão, até chegar ao “point of no return”, porque ainda nem tudo é possível.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
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